O elo entre o ser e reconhecer o seu potencial como indivíduo

Minha relação com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) iniciou rapidamente ainda no percurso da graduação acadêmica. Entretanto, tais interações caracterizaram-se secundárias, uma vez que o contato terapeuta-pessoa sempre precedeu qualquer tipo de diagnóstico, sintomas ou determinações. Logo, sempre tive curiosidade em conhecer, primeiramente, o indivíduo, seu nome e sobrenome, sua conjuntura familiar, sua atividade social, suas potencialidades e dificuldades para depois, enfim, analisar a estrutura de sua demanda.

Em minha formação como psicólogo, tive a possibilidade de aprender constructos teóricos diretamente vinculados a prática de qualificação profissional. Ao mesmo tempo em que eu estudava uma disciplina específica sobre o Transtorno do Espectro Autista, observava, no contexto escolar, o processo de inclusão de um menino com uma incrível competência em desenvolver redações, histórias e enredos, com um ligeiro e aguçado senso rítmico – e com TEA. O desenvolvimento de todos os estudos e pesquisas ampliaram minha conceituação técnica, entretanto estar em outra sala de aula, percebendo e pertencendo ao decurso da educação inclusiva, me trouxe respaldo empírico das referências contidas nos livros.

Seguindo a mesma formulação, concomitante aos meus estudos de grupoterapia, fiz parte do “Grupo de Orientação à Pais de Crianças com TEA”, projeto, do Curso de Psicologia da FISMA, que tinha por objetivo realizar o acolhimento, auxílio e orientação aos pais de crianças com TEA, buscando contribuir na educação pais-filhos. Neste caso, a prática da técnica se expande, de forma sistêmica, ao olhar ampliado das relações familiares com o TEA.

Em tempo, não menos importante, grande parte de minhas experiências com o autismo se deram pelo valioso projeto “Compreender para Atuar: as deficiências no contexto psicoeducacional”, que hoje, afetuosamente, dá nome a este Centro de Referência. Pude integrar o projeto desde a sua concepção e trilhar o caminho de três anos até chegar à “referência”. Conhecer pessoas, lugares e vivências me fez entender que qualquer intervenção psicológica, no âmbito do TEA, tem por essência soberana COMPREENDER o indivíduo e suas singularidades PARA, então, ATUAR em suas demandas psíquicas e subjetivas.

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