NEUROPLASTICIDADE, DESENVOLVIMENTO MOTOR E AQUISIÇÃO DE HABILIDADES EM TEA

De acordo com o DSM-V (Manual de Diagnóstico e Estatística), os aspectos motores não fazem parte dos critérios diagnósticos da pessoa com autismo, contudo, a literatura nos traz um consenso razoável no que se refere ao atraso motor de crianças no espectro. Observamos uma crescente consideração entre os profissionais da área sobre os aspectos motores no processo diagnóstico e interventivo no TEA. Harris (2017) afirma que durante o primeiro ano de vida, o pediatra não deve descartar a possibilidade de autismo em bebês com comportamentos motores, como: hipotonia, apraxia e déficits no controle  postural. No entanto, mesmo sem um diagnóstico definitivo é necessário que a criança receba mais estímulos sensório motores.

Frente aos possíveis atrasos no desenvolvimento motor da criança com TEA, os exercícios físicos e as atividades motoras vêm sendo utilizados como um recurso de estimulação à aquisição de habilidades. Neste sentido, deve-se considerar a intervenção motora precoce, tendo em vista os aspectos de neuroplasticidade, ou seja, a capacidade do cérebro de se modificar em função de mudanças ocorridas no ambiente, como também o momento de maior ação da plasticidade cerebral no período da primeira infância (0-6 anos). Sabemos, por meio de estudos na área, que alunos fisicamente ativos, apresentam maior facilidade no processo de aprendizagem, apresentando melhor desempenho nas habilidades cognitivas como memória, atenção, percepção e funções executivas.

O aumento de vascularização/fluxo sanguíneo cerebral durante a prática de exercícios físicos, contribui diretamente no processo da plasticidade cerebral, gerando um aumento na atividade de neurotransmissores, promovendo assim, adaptações em estruturas cerebrais e plasticidade sináptica. Neste sentido, Vorkapic-Ferreira (2017) nos afirma que as vivências motoras também são capazes de aumentar a proliferação de células da glia em camadas superficiais, córtex motor e córtex pré-frontal, influenciando também a morfologia de neurônios recém-nascidos – o que sugere que os efeitos do exercício, são tanto quantitativos quanto qualitativos.

O desenvolvimento da plasticidade cerebral não depende da intensidade do exercício, mas sim de novas e constantes aprendizagens, pois quando a tarefa já foi aprendida, ocorrem reduções de áreas encefálicas ativadas, bem como menor recrutamento de sinapses. No TEA, sabemos que o processo de poda neural ou apoptose, que é o sistema de “limpeza” das sinapses menos utilizadas, pode ser mais intenso e por este motivo, algumas vezes, determinadas habilidades emergem, porém apesar da morte dos neurônios ser um processo irreversível, não se considera que o quadro seja não possa mudar e, no entanto, a estimulação motora vem como um grande aliado nas conquistas do desenvolvimento global e no processo de aprendizagem de novas habilidades.

 

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