O trabalho transdisciplinar no atendimento à pessoa com TEA

Centro de referência em Transtorno do Espectro Autista Compreender para Atuar

Pesquisas na área da saúde e educação vêm sendo atualizadas de acordo com o processo de globalização, no qual são necessários ajustes para conseguir atender a demanda pela não-fragmentação do saber e das ações, tendo como ponto de partida as diferentes áreas do conhecimento. Estamos em um período de transição. Na área da saúde especificamente, o desafio se insere nos campos de atuação com a busca pela integralização do sujeito. Um olhar amplo a quem está sendo atendido, possibilita uma compreensão individual e sistêmica dos sujeitos.

Nesse sentido, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade são apontadas através dos estudos como um viés necessário para as práticas se redefinirem, não só no contexto onde se produz o conhecimento, mas também na organização social como um todo. Complexo? Sim. A saúde, exige essa complexidade.

No Transtorno do Espectro Autista, essa nova exigência de mudança conceitual e pragmática, não é diferente. O atendimento à pessoa com TEA já não pode ser direcionado somente a partir da díade profissional-paciente. Abordagens centradas na família, as quais compreendem que esse eixo é o principal preditor de benefícios ao seu filho, tem sido alvo de pesquisas. A escola, o sujeito, sua família, seus pares e relações necessitam de um olhar amplo, para que a intervenção realizada tenha efetividade. A real prática em que acontece a transdisciplinaridade está ligada ao terapeuta que consegue entender a importância de um olhar amplo para o sujeito, sua realidade e as diferentes áreas de atuação que estão trabalhando em prol do desenvolvimento da pessoa com TEA.

Uma vez escutei uma mãe trazendo em seu discurso que estava cansada de correr atrás dos profissionais para fazer a mediação e explicar o que um profissional estava trabalhando com seu filho em um determinado momento e realizar a mesma ação para comunicar ao outro profissional de uma área diferente. Naquela narrativa, foi possível perceber o cansaço e o desespero daquela mãe em auxiliar da melhor forma na intervenção do seu filho. Também era notável que os profissionais que atendiam o mesmo, utilizavam abordagens diferentes e não estavam abertos à troca de experiências entre as suas áreas de atuação. Partindo dessa problemática, o que percebemos na maioria das vezes? Um trabalho fragmentado; objetivos diferentes; progresso moroso; um olhar direcionado especificamente ao TEA e não ao que está inerente ao transtorno e ao sujeito que possui essa condição. Por fim, também: famílias desamparadas.

Assim, faz-se necessário o trabalho transdisciplinar, que diz respeito a um movimento de vários níveis de realidade. O prefixo “trans” está ligado diretamente e ao mesmo tempo, entre, através e além das áreas. Assim o atendimento à pessoa com TEA necessita de articulação entre os profissionais que realizam as diferentes terapias. Exige também que haja uma integração bio-psico-social, para que o sujeito seja visto de uma forma total. Deste modo, o processo interventivo proporciona qualidade de vida para os membros que dele participam.

O Centro Compreender para Atuar, surge de uma proposta que identifica como principal fator as nuances acima citadas, ou seja, a efetividade de um trabalho transdisciplinar no atendimento à pessoa com TEA. Antes mesmo de estarmos de portas abertas, nossa equipe trabalhou a troca de experiências e conhecimentos sobre cada área de atuação, através de capacitações em Terapia Ocupacional, Psicologia, Educação Especial, Fonoaudiologia e Educação Física/Psicomotricidade. Assim, o grande diferencial que favorece esse tipo de abordagem é o diálogo entre as áreas, identificando as individualidades de cada sujeito, buscando respeitar suas limitações, estimular suas potencialidades e promover suas habilidades. Esse modelo de trabalho fortalece a rede de apoio do paciente, trazendo para o contexto interventivo, a escola e a família. Ainda, percebe-se o fortalecimento e respeito mútuo entre os profissionais da equipe, onde todos valorizam as demais áreas e sabem da importância de cada uma para o trabalho acontecer de forma efetiva.

 É importante salientar que, no Centro Compreender para Atuar, independente da área em que o paciente está sendo atendido, sua avaliação inicial é realizada de forma transdisciplinar e global, na qual se identifica os objetivos para cada pessoa com TEA juntamente com toda equipe, possibilitando assim, a construção do plano individualizado de atendimento de cada paciente.

Lembrando que um dos fatores diferenciais do trabalho transdisciplinar, é justamente esse compartilhamento dos objetivos terapêuticos do paciente. Cada área trabalha com base nos mesmos objetivos, buscando o olhar ampliado sobre as necessidades do sujeito. Os profissionais realizam discussões colaborativas, pois o paciente é responsabilidade de toda equipe e não somente de um profissional. Esse último ponto é o que difere a interdisciplinaridade da transdisciplinaridade, visto que ambas têm conceitos parecidos.

Ficou com alguma dúvida? Agende uma visita ao Centro Compreender para Atuar e conheça nosso trabalho. Teremos satisfação em conversar com você!

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