TEA NA VIDA ADULTA – SOCIALIZAÇÃO E GANHO DE HABILIDADES

Há algumas semanas, acompanhei um evento muito interessante. Um seminário que abordou diferentes temáticas sobre a vida adulta para pessoas com autismo. Aqui expresso o meu contentamento como profissional em ver a proporção dos  estudos e discussões na área, mesmo que  ainda haja uma escassez de pesquisas e serviços para essa população sobre as demandas da vida adulta. Um dos temas mais recorrentes no seminário foi o desenvolvimento das Habilidades Sociais que interferem nos diferentes contextos que as pessoas com autismo possam estar inseridas.

Existe um número crescente de pessoas adultas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que estão ingressando em no ensino superior ou profissionalizante e/ou buscando por uma colocação no mercado de trabalho; mas o que podemos observar a partir dos relatos desses jovens e adultos, é que se sentem solitários e isolados ao se inserirem nesses contextos. Pois a partir da amplitude do espectro, muitas pessoas com TEA têm dificuldades de comunicação e socialização ao longo da vida, e essas dificuldades podem criar barreiras significativas na transição para a vida adulta. Especificamente, os déficits sociais em jovens e adultos com TEA podem impactar na participação e no sucesso das atividades acadêmicas, bem como, qualidade de vida, autoconfiança e desenvolvimento de habilidades pessoais.

Nos relatos apresentados pelo seminário, pesquisas iniciais indicam que adultos com TEA desejam desenvolver relacionamentos sociais e contribuir com sua comunidade, mas muitas vezes se sentem “perdidos” devido à falta de envolvimento e déficits de habilidades sociais. Além disso, os adultos no espectro indicam que iniciar as interações sociais é um desafio significativo e diário. Dessa forma, as dificuldades com a socialização afetam no envolvimento e no bem-estar geral, trazendo descontentamento e desistência das atividades.

Portanto, se objetiva a necessidade de uma intervenção com planejamento social para o aumento da integração sociocomunicativa dos jovens e adultos com TEA. A intervenção consiste em planejar atividades sociais baseadas na comunidade e atividades extracurriculares para aumentar a integração no ambiente deste indivíduo, em torno dos seus interesses atuais, proporcionando habilidades organizacionais e direcionando habilidades sociais específicas. Dessa forma, é possível melhorar seu desempenho estudantil, satisfação com experiências diárias e assim, aumentar a confiança e autonomia para as interações com os pares.

 

Gabriela Lehnhart
Educadora Especial
Psicopedagoga

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